Com qual dessas situações você mais se identifica?
Uma das questões mais intrigantes sobre o TDAH é por que tantas pessoas só recebem o diagnóstico na vida adulta, muitas vezes após os 30 ou 40 anos. A resposta para essa pergunta envolve uma combinação de fatores históricos, sociais e clínicos que contribuíram para o subdiagnóstico ao longo das décadas.
Historicamente, o TDAH era considerado um transtorno exclusivamente infantil. Durante muito tempo, acreditava-se que os sintomas desapareciam naturalmente com a chegada da adolescência ou da vida adulta. Hoje, estudos longitudinais demonstram que isso não é verdade para a maioria dos casos. Estima-se que entre 50% e 70% das crianças com TDAH continuam apresentando sintomas clinicamente significativos na vida adulta.
Outro fator importante é o desenvolvimento de estratégias compensatórias. Muitos adultos com TDAH aprenderam, ao longo dos anos, a criar mecanismos para lidar com suas dificuldades. Algumas pessoas se tornam extremamente dependentes de listas, alarmes e aplicativos de organização. Outras escolhem carreiras que se adequam melhor ao seu funcionamento cerebral, como profissões criativas ou que envolvem novidades constantes. Essas adaptações podem mascarar os sintomas, fazendo com que o transtorno passe despercebido.
O fator gênero também desempenha um papel significativo no subdiagnóstico. Estudos indicam que mulheres com TDAH são diagnosticadas, em média, mais tarde do que homens. Isso ocorre porque a apresentação do transtorno em mulheres tende a ser predominantemente desatenta, sem a hiperatividade mais visível que geralmente chama a atenção de pais e professores. Além disso, meninas são socialmente condicionadas a serem mais comportadas, o que pode fazer com que internalizem suas dificuldades em vez de externalizá-las.
Momentos de transição na vida frequentemente funcionam como gatilhos para a busca pelo diagnóstico. A entrada na universidade, o primeiro emprego, o nascimento de um filho ou uma promoção que exige mais responsabilidades podem sobrecarregar as estratégias compensatórias que funcionavam até então. É nesse momento que muitos adultos começam a perceber que algo não está certo e iniciam uma busca por respostas.
Você lê a mesma página várias vezes e não absorve nada? Começa tarefas e se perde no meio do caminho? Isso pode ser mais do que distração — existe uma explicação científica e um caminho para mudança.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Como um adulto descobre que tem TDAH?
A descoberta geralmente acontece por dois caminhos. O primeiro é quando os sintomas se tornam insustentáveis — períodos de burnout, fracassos profissionais repetidos ou crises em relacionamentos levam a pessoa a buscar ajuda. O segundo é através da identificação com conteúdos sobre TDAH ou após o diagnóstico de um filho. A confirmação exige avaliação profissional com neuropsicólogo ou psiquiatra, incluindo entrevista clínica detalhada, investigação da história desde a infância e, frequentemente, testes neuropsicológicos padronizados.
2. Quanto tempo demora para diagnosticar TDAH em adultos?
O processo diagnóstico completo pode levar de algumas semanas a alguns meses, dependendo do profissional e da complexidade do caso. Uma avaliação neuropsicológica geralmente requer de 4 a 8 horas, distribuídas em sessões. O tempo inclui entrevista clínica, aplicação de testes, análise dos resultados e elaboração do laudo. Infelizmente, muitos adultos demoram anos entre suspeitar do transtorno e efetivamente buscar avaliação — seja por desconhecimento, estigma ou dificuldade de acesso a profissionais especializados.
3. Quem tem TDAH amadurece mais tarde?
Existe um conceito na literatura científica chamado “atraso de maturidade executiva”. Estudos de neuroimagem sugerem que o córtex pré-frontal — região responsável pelas funções executivas como planejamento, organização e controle de impulsos — pode se desenvolver mais lentamente em pessoas com TDAH. Na prática, isso pode se manifestar como uma sensação de estar “atrasado” em relação aos pares em aspectos como estabilidade profissional, gestão financeira e regulação emocional. Não significa imaturidade emocional intencional, mas sim diferenças no desenvolvimento neurológico.
4. O TDAH piora com a idade?
O TDAH em si não piora, mas a percepção dos sintomas pode se intensificar na vida adulta. Isso ocorre porque as demandas aumentam progressivamente — responsabilidades profissionais, financeiras e familiares exigem cada vez mais das funções executivas. Estratégias compensatórias que funcionavam na juventude podem se tornar insuficientes. Além disso, alterações hormonais (especialmente em mulheres na perimenopausa) e o acúmulo de estresse crônico podem acentuar os sintomas. Com tratamento adequado, no entanto, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida em qualquer idade.
5. Como é o dia a dia de um adulto com TDAH?
O cotidiano costuma ser marcado por inconsistência. Há dias de produtividade extraordinária e outros de paralisia completa. Rotinas simples como acordar no horário, manter a casa organizada e pagar contas em dia podem exigir esforço desproporcional. A sensação de estar sempre “apagando incêndios” é comum, assim como a frustração de não conseguir manter sistemas de organização funcionando. Relacionamentos podem ser afetados por esquecimentos e desatenção. Por outro lado, muitos adultos com TDAH desenvolvem criatividade, capacidade de improvisar e habilidade de trabalhar bem sob pressão.
6. O que é o esgotamento do TDAH?
O esgotamento do TDAH, conhecido como “ADHD burnout”, ocorre quando a pessoa passa longos períodos compensando seus sintomas sem suporte adequado. O esforço constante para parecer “normal”, cumprir prazos, manter a organização e mascarar dificuldades consome energia mental enorme. Com o tempo, isso resulta em exaustão profunda, queda drástica de produtividade, aumento da desregulação emocional e frequentemente sintomas de ansiedade ou depressão. Esse esgotamento é um dos principais gatilhos que levam adultos a finalmente buscarem diagnóstico — muitas vezes após décadas convivendo com o transtorno sem saber.
7. Quais são os direitos de adultos com TDAH no Brasil?
No Brasil, a Lei nº 14.254/2021 garante acompanhamento específico para pessoas com TDAH no sistema educacional. Em concursos públicos, algumas bancas já reconhecem o direito a tempo adicional de prova mediante laudo. No ambiente de trabalho, embora o TDAH não seja automaticamente enquadrado como deficiência para fins de cotas, laudos detalhados podem embasar pedidos de adaptações razoáveis. O cordão de girassol, símbolo de deficiências ocultas, pode ser utilizado por pessoas com TDAH para sinalizar a necessidade de acolhimento em filas e atendimentos prioritários, embora seu reconhecimento ainda varie conforme o estabelecimento.
Importante: Este artigo não substitui a avaliação de um profissional qualificado. Suspeita que pode ter TDAH? A avaliação neuropsicológica é o caminho mais seguro para um diagnóstico preciso. Clique abaixo e converse com a nossa equipe pelo WhatsApp
