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A NR-1 agora obriga as empresas a incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Para o RH, isso significa mapear fatores como estresse, assédio e sobrecarga de trabalho.

Mas como identificar algo que não se vê? Diferente de um risco físico ou químico, os riscos psicossociais são invisíveis e muitas vezes silenciosos. Um colaborador pode estar sofrendo com pressão excessiva, conflitos com a liderança ou falta de reconhecimento — e ninguém percebe até que ele peça demissão ou entre em afastamento por burnout. É exatamente por isso que a legislação mudou: o Brasil está entre os países com mais casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho.

Este artigo foi criado para ajudar você, profissional de RH, a entender o que são riscos psicossociais, como identificá-los na prática e como documentar tudo corretamente no PGR. Você vai encontrar exemplos reais, ferramentas de avaliação e um checklist pronto para aplicar na sua empresa. Continue lendo e descubra como proteger seus colaboradores e evitar problemas com a fiscalização.

O Que São Riscos Psicossociais no Trabalho?

Riscos psicossociais são fatores relacionados à organização do trabalho e às relações interpessoais que podem causar danos à saúde mental e física dos trabalhadores. Eles não são visíveis como uma máquina sem proteção ou um produto químico sem rótulo, mas seus efeitos são igualmente graves.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) define riscos psicossociais como aspectos do desenho e gestão do trabalho, bem como seus contextos sociais e organizacionais, que têm potencial para causar dano psicológico ou físico.

Qual a Diferença Entre Riscos Psicossociais e Outros Riscos?

Qual a Diferença Entre Riscos Psicossociais e Outros Riscos Ocupacionais?

Quando se fala em riscos ocupacionais, é comum que os riscos psicossociais gerem dúvidas — especialmente porque eles não aparecem de forma tão visível quanto outros tipos de risco. No entanto, isso não os torna menos técnicos ou menos relevantes.

A diferença central entre riscos psicossociais e os demais riscos ocupacionais está no local onde o risco se origina e na forma como ele precisa ser identificado.

Enquanto alguns riscos estão diretamente ligados ao ambiente físico ou à tarefa executada, os riscos psicossociais surgem da organização do trabalho, da gestão e das relações profissionais.

Comparação prática entre os tipos de risco

Quando se fala em riscos ocupacionais, é comum que os riscos psicossociais gerem dúvidas — especialmente porque eles não aparecem de forma tão visível quanto outros tipos de risco. No entanto, isso não os torna menos técnicos ou menos relevantes.

A diferença central entre riscos psicossociais e os demais riscos ocupacionais está no local onde o risco se origina e na forma como ele precisa ser identificado.

Enquanto alguns riscos estão diretamente ligados ao ambiente físico ou à tarefa executada, os riscos psicossociais surgem da organização do trabalho, da gestão e das relações profissionais.

Tipo de riscoOnde o risco se manifestaComo é identificadoExemplos
FísicoNo ambiente físicoMedições técnicasRuído, calor, vibração
QuímicoNo contato com substânciasAnálise técnica e ambientalSolventes, poeiras
BiológicoNa exposição a agentes vivosAvaliação técnica e examesVírus, bactérias
ErgonômicoNa relação entre corpo e tarefaObservação do posto e análise da atividadePostura inadequada, movimentos repetitivos
PsicossocialNa organização e gestão do trabalhoEscuta estruturada e análise de indicadores organizacionaisSobrecarga, assédio, conflitos

Exemplos de Riscos Psicossociais no Ambiente de Trabalho

Para facilitar a identificação, aqui está uma lista prática dos principais riscos psicossociais que você pode encontrar na sua empresa:

1. Sobrecarga de Trabalho

  • Metas inatingíveis ou prazos irreais
  • Acúmulo de funções sem aumento de equipe
  • Jornadas extensas frequentes
  • Falta de pausas durante o expediente

2. Falta de Controle e Autonomia

  • Microgerenciamento excessivo
  • Impossibilidade de tomar decisões sobre o próprio trabalho
  • Processos rígidos sem flexibilidade
  • Falta de participação em decisões que afetam o colaborador

3. Assédio Moral e Sexual

  • Humilhações públicas ou privadas
  • Piadas ofensivas recorrentes
  • Isolamento intencional de um colaborador
  • Ameaças veladas ou explícitas
  • Comportamentos de cunho sexual não consentidos

4. Conflitos Interpessoais

  • Relação tóxica com liderança direta
  • Falta de cooperação entre colegas
  • Competição destrutiva entre equipes
  • Comunicação agressiva ou passivo-agressiva

5. Insegurança no Emprego

  • Ameaças constantes de demissão
  • Falta de clareza sobre o futuro da empresa
  • Contratos precários sem perspectiva
  • Mudanças organizacionais frequentes sem comunicação

6. Falta de Reconhecimento

  • Ausência de feedback positivo
  • Promoções que nunca acontecem
  • Salários defasados em relação ao mercado
  • Invisibilidade das contribuições individuais

7. Desequilíbrio Entre Trabalho e Vida Pessoal

  • Expectativa de disponibilidade 24 horas
  • Mensagens fora do horário de trabalho
  • Dificuldade para tirar férias
  • Pressão para não usar benefícios (home office, licenças)

8. Violência no Trabalho

  • Agressões físicas ou verbais de clientes
  • Ameaças de terceiros (comum em atendimento ao público)
  • Exposição a situações traumáticas

Por Que a NR-1 Agora Exige a Gestão de Riscos Psicossociais?

A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 não aconteceu por acaso. Os números mostram uma crise silenciosa de saúde mental no trabalho brasileiro.

Os Dados São Alarmantes

  • O Brasil é o segundo país do mundo com mais casos de burnout, segundo a International Stress Management Association (ISMA-BR)
  • Transtornos mentais são a terceira maior causa de afastamento pelo INSS
  • Em 2023, foram mais de 200 mil afastamentos por ansiedade e depressão relacionadas ao trabalho
  • O custo estimado de problemas de saúde mental para empresas brasileiras ultrapassa R$ 200 bilhões por ano

O Que Motivou a Mudança na Legislação?

O Ministério do Trabalho reconheceu que não era mais possível tratar segurança do trabalho apenas como prevenção de acidentes físicos. A realidade do trabalho moderno — com metas agressivas, conectividade constante e pressão por resultados — exige uma abordagem mais ampla.

Além disso, o Brasil é signatário de convenções internacionais da OIT que recomendam a gestão de riscos psicossociais. A atualização da NR-1 alinha o país às melhores práticas globais.

O Que Isso Significa Para o RH?

Significa que agora existe obrigação legal de identificar, avaliar e controlar riscos psicossociais. Não é mais uma questão de “clima organizacional” ou “bem-estar” — é compliance. A empresa que não fizer pode ser multada, interditada ou responsabilizada em ações trabalhistas.

Como o RH Identifica Riscos Psicossociais na Empresa

Essa é a pergunta de ouro. Diferente de medir ruído com um decibelímetro, identificar riscos psicossociais exige métodos qualitativos e quantitativos combinados.

Método 1: Pesquisa de Clima Organizacional

Uma pesquisa bem estruturada pode revelar problemas que ninguém verbaliza no dia a dia. Inclua perguntas sobre:

  • Relação com liderança
  • Carga de trabalho percebida
  • Equilíbrio vida pessoal/profissional
  • Sensação de reconhecimento
  • Presença de conflitos ou assédio

Dica: Garanta anonimato real. Se os colaboradores não confiarem, não serão honestos.

Método 2: Entrevistas e Grupos Focais

Conversas individuais ou em pequenos grupos podem aprofundar o que a pesquisa quantitativa revelou. O RH ou um psicólogo organizacional conduz sessões para entender:

  • Contexto das respostas da pesquisa
  • Situações específicas que geram estresse
  • Sugestões dos próprios colaboradores

Método 3: Análise de Indicadores

A análise de indicadores é um dos métodos mais importantes para identificar riscos psicossociais, especialmente em médias e grandes empresas. Isso porque muitos sinais já estão disponíveis nos dados que o RH acompanha diariamente, mas nem sempre são analisados sob a ótica de risco ocupacional.

É importante destacar: um indicador isolado não confirma a existência de um risco psicossocial, mas padrões recorrentes funcionam como sinais de alerta que precisam ser investigados.

Como os indicadores ajudam na identificação de riscos psicossociais

Os indicadores organizacionais mostram como o trabalho está impactando as pessoas ao longo do tempo. Quando analisados por área, função ou liderança, eles ajudam a identificar onde o risco pode estar concentrado.

Veja alguns exemplos práticos:

Indicador observadoO que pode indicarO que o RH deve investigar
Turnover elevado em um setor específicoProblemas de liderança, sobrecarga ou clima negativoEstilo de gestão, metas, volume de trabalho
Aumento de atestados e afastamentosPossível adoecimento relacionado ao trabalhoOrganização das tarefas, pressão e suporte
Queda contínua de produtividadeDesmotivação, fadiga ou esgotamentoDemandas excessivas, falta de recursos
Reclamações no canal de éticaConflitos interpessoais ou assédioRelações de poder, comunicação e liderança
Horas extras frequentes e recorrentesSobrecarga estrutural de trabalhoDimensionamento de equipes e prazos

Método 4: Observação Direta

Gestores e o RH podem observar sinais no dia a dia:

  • Colaboradores isolados ou calados
  • Mudanças bruscas de comportamento
  • Conflitos recorrentes em reuniões
  • Reclamações informais no café

Método 5: Questionários Validados

Existem instrumentos científicos para avaliar riscos psicossociais. Alguns dos mais usados:

  • COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire) — adaptado para o Brasil
  • JCQ (Job Content Questionnaire) — modelo demanda-controle
  • HSE Indicator Tool — ferramenta britânica adaptável

O ideal é aplicar com apoio de um psicólogo organizacional ou consultor especializado.

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