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Entenda os principais fatores que contribuíram para a crise.

1. Empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador

Um dos primeiros sinais de alerta surgiu durante as investigações da Superintendência de Bancos.

Em 5 de junho de 2026, o órgão notificou o Ueno Bank após identificar operações de crédito envolvendo empresas vinculadas ao grupo econômico que controlava a instituição.

O problema exigiu uma investigação aprofundada porque os documentos dessas empresas não demonstravam claramente suas ligações com os controladores.

Os fiscais precisaram:

  • Analisar os contratos de empréstimos.
  • Investigar as empresas que receberam os recursos.
  • Verificar as condições financeiras das operações.
  • Rastrear a movimentação do dinheiro.
  • Avaliar o cumprimento dos limites regulatórios.

Essas operações levantaram preocupações sobre a concentração de riscos e a qualidade dos controles internos do banco.

2. Problemas na documentação de operações financeiras

Durante as inspeções, o Banco Central identificou fragilidades nos documentos que sustentavam determinadas operações de crédito.

Em termos simples, parte dos registros analisados não apresentava respaldo suficiente para justificar adequadamente os riscos assumidos.

Isso levou à necessidade de reconhecer provisões adicionais, ou seja, reservar contabilmente valores para cobrir possíveis perdas financeiras.

Essas provisões reduziram os indicadores patrimoniais da instituição, contribuindo para o agravamento de sua situação financeira.

3. Questionamentos sobre despesas com tecnologia

Outro ponto identificado pelo BCP envolveu a contabilização de serviços informáticos.

Segundo o regulador, determinados valores relacionados a esses serviços não possuíam justificativas plenamente respaldadas.

Esse problema é relevante porque gastos registrados incorretamente como ativos podem afetar a apresentação da situação patrimonial de uma instituição.

Após a análise dos registros, foram necessários ajustes nas demonstrações financeiras do Ueno Bank.

É importante destacar que a existência de questionamentos contábeis não comprova, isoladamente, a prática de fraude. Eventuais responsabilidades dependem das investigações competentes.

4. Deterioração da liquidez bancária

A liquidez representa a capacidade de um banco de disponibilizar dinheiro para cumprir suas obrigações.

Quando uma instituição enfrenta dificuldades de liquidez, pode ter problemas para atender saques, transferências e outros compromissos.

No caso do Ueno Bank, o Banco Central confirmou a deterioração desses indicadores durante o processo de fiscalização.

O regulador também informou que a divulgação de informações sensíveis contribuiu para acelerar o agravamento da liquidez.

Essa situação aumentou a pressão sobre uma instituição que já apresentava fragilidades financeiras.

5. Queda acentuada do índice de solvência

O fator determinante para a intervenção foi a insuficiência do índice de solvência.

A solvência indica se uma instituição possui capital suficiente para absorver perdas e atender às exigências regulatórias.

Após os ajustes realizados nas demonstrações financeiras, o índice do Ueno Bank ficou abaixo de 50% do mínimo exigido pela legislação paraguaia.

Esse resultado caracterizou a condição legal que levou o Banco Central a iniciar o procedimento de resolução, conforme a Lei nº 2.334/03.

A decisão foi aprovada por unanimidade em 2 de novembro de 2026.

6. Expansão acelerada e incorporação do Visión Banco

O crescimento do Ueno Bank também merece atenção na análise de sua trajetória.

Em junho de 2024, a instituição concluiu a incorporação do Visión Banco, ampliando sua estrutura, quantidade de clientes e participação no mercado financeiro paraguaio.

Uma operação dessa dimensão exige integração tecnológica, reorganização administrativa e controles adequados para administrar os riscos.

No entanto, não há confirmação oficial de que a fusão tenha sido a causa direta da crise.

A incorporação deve ser considerada parte do contexto de expansão do banco, enquanto os problemas de solvência, liquidez e operações de crédito foram fatores efetivamente apontados pelo regulador.

Afinal, qual foi o principal motivo da crise do Ueno Bank?

O principal motivo formal da resolução foi a queda do índice de solvência para menos da metade do mínimo regulatório.

Entretanto, segundo o Banco Central do Paraguai, esse resultado ocorreu após meses de fiscalização que identificaram operações com empresas vinculadas, fragilidades documentais, necessidade de provisões adicionais e deterioração da liquidez.

A combinação desses fatores comprometeu a situação financeira da instituição e levou à decisão de iniciar o procedimento de resolução bancária.

Fonte: Banco Central do Paraguai — Comunicado oficial sobre a resolução do Ueno Bank.

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