A atualização da NR-1 ampliou as exigências sobre gestão de riscos e passou a incluir fatores ligados à organização do trabalho e à saúde mental.
Escolha abaixo se você quer entender o que mudou na NR-1 ou como as empresas devem se preparar para 2026👇
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Essa mudança transforma a forma como o RH, a liderança e as áreas de segurança do trabalho atuam dentro das organizações. A norma deixa de focar apenas em riscos físicos e passa a exigir uma visão mais ampla sobre as condições reais de trabalho.
O que é a NR-1 e por que ela é tão importante
A NR-1 é a Norma Regulamentadora que estabelece as bases da segurança e saúde no trabalho no Brasil. Ela funciona como uma norma “guarda-chuva”, pois define princípios que orientam todas as demais normas regulamentadoras.
Desde a publicação da Portaria 3.214/1978, a NR-1 passou por diversas atualizações. Porém, a mudança mais significativa ocorreu com a reformulação recente que introduziu o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Com a atualização que será plenamente exigida em 2026, as empresas passam a ter novas responsabilidades na identificação e no controle de riscos relacionados ao trabalho.
Passo a passo para entender e aplicar a atualização da NR-1
1. Entender o cronograma da nova NR-1
O primeiro passo para se adequar à norma é compreender quando as mudanças passam a ser obrigatórias.
A atualização da NR-1 foi publicada em 2024, mas o governo estabeleceu um período de adaptação antes da fiscalização punitiva.
O cronograma funciona da seguinte forma:
- 2024 – publicação da atualização da norma
- 2025 – início da vigência educativa
- 2025 a 2026 – período de adaptação das empresas
- 26 de maio de 2026 – início da fiscalização com possibilidade de multas
Durante esse período intermediário, as empresas precisam revisar seus processos internos para garantir que estejam preparadas para as exigências futuras.
2. Implementar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
A nova NR-1 exige que as empresas adotem um sistema estruturado de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
O GRO é um modelo de gestão que exige que as empresas:
- identifiquem riscos existentes no ambiente de trabalho
- avaliem a gravidade desses riscos
- definam medidas para reduzir ou eliminar esses perigos
Esse sistema funciona como uma estrutura contínua de gestão, baseada no conceito de melhoria constante.
Na prática, isso significa que a empresa não pode apenas criar um documento. Ela precisa manter um processo permanente de análise e controle de riscos.
3. Criar ou atualizar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
Dentro do modelo do GRO, surge um documento essencial: o PGR.
O Programa de Gerenciamento de Riscos reúne informações importantes como:
- inventário de riscos ocupacionais
- avaliação de perigos existentes no trabalho
- plano de ação para controle desses riscos
Esse documento precisa refletir a realidade da empresa, não apenas uma descrição teórica das atividades.
4. Incluir os riscos psicossociais no inventário de riscos
Uma das maiores mudanças da nova NR-1 é a inclusão dos riscos psicossociais dentro da análise obrigatória de riscos.
Esses riscos estão ligados à forma como o trabalho é organizado e podem impactar diretamente a saúde mental dos trabalhadores.
Entre os principais fatores considerados riscos psicossociais estão:
- excesso de carga de trabalho
- metas inalcançáveis
- jornadas prolongadas
- falta de apoio da liderança
- assédio moral ou pressão psicológica
- isolamento no ambiente de trabalho
Antes da atualização da norma, esses fatores muitas vezes eram tratados apenas em programas internos de bem-estar.
Agora, eles passam a fazer parte da gestão obrigatória de segurança e saúde no trabalho.
5. Integrar a NR-1 com a NR-17 (ergonomia)
Outro ponto importante da atualização é a integração da NR-1 com a NR-17, que trata da ergonomia no trabalho.
Essa integração permite que os riscos psicossociais sejam analisados dentro de uma abordagem ergonômica.
Duas ferramentas são frequentemente utilizadas nesse processo:
Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP)
É uma análise inicial utilizada para identificar riscos relacionados à organização do trabalho.
Análise Ergonômica do Trabalho (AET)
Quando os riscos são mais complexos, é necessário realizar uma avaliação aprofundada para entender como o trabalho está sendo realizado na prática.
Essas ferramentas ajudam a identificar problemas que podem levar ao estresse ocupacional e ao adoecimento mental.
6. Definir um plano de ação para os riscos identificados
Depois de mapear os riscos, a empresa precisa criar um plano de ação para reduzir esses problemas.
Esse plano normalmente inclui medidas como:
- revisão de processos de trabalho
- treinamento de lideranças
- criação de canais de denúncia
- melhorias na comunicação interna
- ajustes na carga de trabalho
Esse plano precisa ter:
- responsáveis definidos
- prazos de execução
- acompanhamento dos resultados
Sem essas informações, o documento pode ser considerado incompleto durante uma fiscalização.
7. Registrar evidências das ações realizadas
A nova NR-1 também aumenta a importância da gestão documental.
As empresas precisam manter registros que comprovem que as ações previstas no PGR estão sendo executadas.
Entre os registros mais comuns estão:
- treinamentos realizados
- atas de reuniões internas
- avaliações de riscos
- relatórios de ergonomia
- registros de medidas preventivas
Essas evidências podem ser exigidas em auditorias ou fiscalizações.
8. Preparar o RH para um papel mais estratégico
Com a atualização da NR-1, o departamento de Recursos Humanos passa a ter uma participação mais ativa na gestão de riscos ocupacionais.
O RH pode atuar em atividades como:
- acompanhamento de indicadores de saúde ocupacional
- treinamento de lideranças
- apoio na implementação de políticas internas
- organização de evidências e registros
Isso transforma o RH em um agente estratégico na gestão de segurança e saúde no trabalho.
9. Entender os riscos de multas e processos trabalhistas
A partir de 26 de maio de 2026, a fiscalização passa a aplicar penalidades para empresas que não estiverem adequadas à norma.
As multas podem variar dependendo da gravidade da infração e do número de trabalhadores expostos.
Além das penalidades administrativas, existe também o risco de processos trabalhistas, principalmente quando o adoecimento mental é relacionado às condições de trabalho.
Por isso, manter a gestão de riscos atualizada também é uma forma de proteger a empresa juridicamente.
A atualização da NR-1 representa uma das maiores transformações já realizadas na gestão de segurança e saúde no trabalho no Brasil.
A norma passa a exigir que as empresas adotem uma visão mais ampla sobre os riscos existentes no ambiente de trabalho, incluindo fatores ligados à saúde mental e à organização das atividades.
Com a fiscalização prevista para começar em 2026, o período atual é fundamental para que as empresas revisem seus processos, atualizem o PGR e fortaleçam suas práticas de prevenção.
Mais do que uma obrigação legal, essa mudança também pode representar uma oportunidade para melhorar o ambiente de trabalho, reduzir afastamentos e aumentar a sustentabilidade das organizações.